
Por GAUTAM NAIK - The Wall Street Journal - on line
Science
Em testes feitos em mais de 100 camundongos, cientistas comprovaram uma melhora significativa das funções cognitivas e sociais.
Um medicamento que trata o câncer de pele melhorou significativamente as funções cerebrais e sociais e restaurou o sentido do olfato em camundongos criados com uma forma de mal de Alzheimer, sugerindo um novo caminho para combater a doença no ser humano.
O mal de Alzheimer está associado ao acúmulo de fragmentos de uma proteína chamada beta-amilóide no cérebro. A nova pesquisa descobriu que uma droga já existente contra o câncer de pele, chamada bexarotene, limpou essas placas de proteína no cérebro dos camundongos atingidos em questão de dias. O estudo foi publicado na quinta-feira na revista "Science".
Como se sabe que o bexaroteno é seguro para tratar o câncer de pele, "pode valer a pena experimentá-lo também em pacientes de Alzheimer", disse Rada Koldamova, neurocientista que trabalha com Alzheimer's na Universidade de Pittsburgh e não estava envolvida no estudo. Mas ela acrescentou que a eficácia da droga contra a doença cerebral teria que ser primeiro confirmada em estudos com seres humanos. Os resultados dos testes com camundongos muitas vezes não se repetem no ser humano.
O cérebro de todas as pessoas produz a proteína beta-amilóide, mas enquanto um cérebro saudável dissolve os fragmentos da proteína, o cérebro de quem tem Alzheimer não consegue fazer isso. Acredita-se que o acúmulo resultante afeta as funções de aprendizado e memória.
O Alzheimer é um problema cada vez mais grave, especialmente nas sociedades com maior envelhecimento da população, mas ainda não se encontrou nenhum tratamento eficaz. As drogas usadas hoje funcionam apenas por um breve período e apenas aliviam os sintomas, em vez de deter o curso da doença. Nos últimos anos, drogas usadas em uns seis experimentos com seres humanos não foram aprovadas na fase final dos testes.
A nova pesquisa, financiada por uma série de fundações, adota uma abordagem completamente diferente, disse Gary Landreth, neurocientista da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland e coautor do estudo. O método da sua equipe, segundo ele, é "ajudar a Mãe Natureza a fazer o que ela normalmente faz" ao limpar fragmentos de amilóides do cérebro.
Os cientistas sabem que uma proteína chamada ApoE age como uma espécie de eliminadora de lixo, ajudando a dissolver as proteínas beta-amilóide. Landreth conjeturou que se conseguisse fazer o cérebro fabricar mais ApoE, poderia reforçar a eliminação da proteína.
Ele decidiu concentrar-se no bexarotene, droga administrada por via oral conhecida por ativar uma proteína que ajuda a "ligar" o gene ApoE. Em 2009, Landreth pediu a um aluno de pós-graduação recém-formado, que trabalhava em seu laboratório, para ministrar a droga a alguns camundongos com Alzheimer. Três dias depois, as placas de amilóides no cérebro dos animais haviam quase desaparecido.
No artigo para a "Science", Landreth e seus colegas descrevem testes semelhantes feitos com mais de 100 camundongos. Quando a droga foi administrada aos camundongos com sintomas semelhantes ao Alzheimer, eles melhoraram rapidamente suas funções cognitivas, sociais e olfativas.
O bexarotene ainda está longe de ser uma droga aprovada contra o de Alzheimer. Como primeiro passo, Landreth planeja iniciar um estudo de segurança com cerca de dez pacientes nas próximas semanas.
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