
Por Cibelle Bouças | Valor
SÃO PAULO - A grande expansão dos dispositivos móveis e da possibilidade de se manter conectado 24 horas mudou o perfil da comunicação e está exigindo mais esforços dos grupos de mídia e publicidade.
As empresas de mídias tradicionais já dividiam parte da sua audiência com a internet, mas essa disputa se acirrou com as conexões à web a partir de dispositivos móveis, como smartphones e tablets. No Brasil, segundo a IAB Brasil, existem 14,6 milhões de aparelhos com conexão de terceira geração (3G). Desse total, 4,3 milhões conectam-se à internet regularmente.
O mercado publicitário, no entanto, tem enfrentado alguns desafios no Brasil. O primeiro deles é desenvolver peças sofisticadas, mas que possam ser acessadas de qualquer lugar, tendo em vista que ainda há restrições de acesso à banda larga no país. Outro desafio é por fim ao conceito de publicidade barata na internet.
Hoje, as principais peças usadas pelas companhias na internet são banners e links patrocinados, que são vendidos por algumas dezenas de reais — em contraste com anúncios de TVs e veículos impressos, que custam milhares de reais.
Segundo a IAB Brasil, no primeiro semestre, as vendas de anúncios para a internet cresceram 16%, superando a expansão registrada em mídia exterior (14,4%), TV paga (9,9%) e a média do mercado (2,7%). A IAB Brasil estima que os investimentos publicitários no mercado digital devem chegar a R$ 3,04 bilhões, ou 10% do total investido no mercado publicitário.
“Houve um rápido avanço na adoção de smartphones e redes sociais como ferramentas de comunicação e compartilhamento de experiências”, afirmou Federico Casalegno, diretor do Mobile Experience Lab, em entrevista ao Valor.
De acordo com o especialista, os usuários tornaram-se “hiperlocais”, são capazes de se comunicar com pessoas em diferentes plataformas e ao mesmo tempo. “O Brasil é um mercado bastante sofisticado. Os usuários de smartphones usam as diferentes mídias de uma maneira muito mais intensa que os americanos, por exemplo”, afirmou.
“Já havia uma demanda dos clientes por inovações na comunicação digital para acompanhar as mudanças causadas pela expansão da mobilidade”, afirmouCesar Paz, executivo-chefe da Ag2 Publicis Modem.
Paz observou que a comunicação digital ganhou força nos últimos anos e essa mudança fez surgir no mercado uma série de empresas de tecnologia voltadas à produção de jogos, vídeos, aplicativos e outros formatos de publicidade. “A mobilidade modificou também as relações das empresas com as agências.
(Cibelle Bouças | Valor)
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