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A espada de Dâmocles

BM & FBovespa - Subscrições

Espada de Dâmocles

A espada de Dâmocles sobre algumas empresas da bolsa

Fonte e crédito valor online.

A fim de atender as regras de governança da BM&FBovespa, algumas companhias terão que promover subscrições no futuro próximo. Veja quais são essas companhias e o possível impacto sobre a cotação atual.

 

Uma lenda grega diz que Dâmocles, amigo do rei Dionísio, invejava o poder do soberano. A fim de ensinar as agruras pelas quais passa quem detém o poder, o rei preparou um banquete para Dâmocles, colocando-o sentado em seu trono. No teto, sobre o trono, pendia uma espada segura por apenas um fio. Desnecessário dizer que Dâmocles esteve em perigo durante todo o jantar.


 A perspectiva de uma subscrição também pode provocar pressão sobre o preço corrente das ações.

De acordo com regra da BM&FBovespa, as companhias que desejam negociar em níveis diferenciados de governança - Nível 1, 2 ou Novo Mercado - devem ter 25% de suas bases acionárias dispersas no mercado. Em outras palavras, o “free float”, ações em circulação no mercado, deve alcançar 25% do total de ações. Essas ações não podem pertencer aos controladores ou a membros da administração. Essa regra foi incluída para aumentar a liquidez das ações.

Na reportagem “Liquidez represada” do Valor Econômico, de 13 de janeiro de 2012, Marina Falcão e Natália Viri mostram que sete companhias apresentam “free float” inferior a 25% no momento: a empresa elétrica Taesa, a empresa de açúcar e álcool Tereos, os bancos Santander e Cruzeiro do Sul, o estaleiro OSX, a incorporadora JHSF e a produtora de auto-peças AutoMetal.

Embora o órgão regulador estipule um prazo limite para a oferta de ações para cada uma dessas companhias, existe certa flexibilidade de forma a se adequar às condições de mercado.

Para atender à política da bolsa, há duas alternativas: a companhia promover um aumento de capital, quando novos recursos entram no caixa da companhia ou os controladores venderem suas ações a novos acionistas. Acredito que a tendência seja de um aumento de capital ou capitalização. Esses novos recursos podem ser usados para aumento da capacidade produtiva, aquisição de concorrentes, redução do endividamento etc. O post “Os efeitos da subscrição e outros eventos no preço da ação e no valor de mercado da empresa” de 14 de outubro de 2011, mostra que há duas formas para se aumentar o capital: por intermédio de uma subscrição privada, em que apenas os atuais acionistas têm preferência para adquirir as novas ações, ou pública, em que novos acionistas poderão adquirir as ações. No caso em análise, a alternativa escolhida deve ser uma subscrição pública, pois a privada manteria a participação atual de cada acionista, caso esses exercessem seu direito de preferência, o que não resolveria a questão dos 25%.

Com a expectativa do aumento de capital, os preços correntes das ações das companhias acima podem sofrer pressão baixista. Por quê? Em uma subscrição pública, o preço da oferta é fixado após a conclusão da coleta de intenções dos investidores conduzidos pelos bancos envolvidos na operação. Esse procedimento recebe o nome de “bookbuilding”. Ou seja, os investidores informam aos bancos qual preço desejam pagar para subscreverem as novas ações. A cotação atual de mercado é um excelente sinalizador. Logo, é natural que esses potenciais acionistas tentem deprimir o preço de forma a obterem um desconto pelas ações.

Além disso, muitas vezes, os atuais acionistas, ao saberem de uma subscrição, se desfazem de suas ações com o objetivo de recomprá-las mais baratas no futuro. Esse comportamento dos atuais e dos potenciais acionistas podem provocar a desvalorização da cotação e, por consequência, o valor de mercado da companhia.

 

Por fim, como dito anteriormente, novos recursos devem ser captados para investimentos ou redução de endividamento que tragam retorno ao acionista e não somente para atender uma regra de liquidez.

Assim, embora a intenção da BM&FBovespa seja a melhor possível – aumentar a liquidez das ações o que, em tese, melhora a precificação dos papéis - pode acabar provocando uma pressão sobre as cotações correntes.




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